No setor da saúde, no qual o cuidado e a técnica caminham lado a lado, as estatísticas do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros revelam um cenário de forte protagonismo feminino. Atualmente, as mulheres representam 78,5% do quadro total de colaboradores da instituição, ocupando 72,7% dos cargos de liderança.

 Mais do que números, os dados refletem uma cultura de valorização que permite a evolução de carreira, transformando recepcionistas em especialistas e enfermeiras em símbolos de superação.

Dos 233 colaboradores da unidade, 183 são mulheres. A representatividade é ainda mais acentuada nos postos de decisão: dos 22 cargos identificados como liderança (gerências, coordenações e supervisões), 16 são geridos por elas.

O tempo médio de casa é de 3,8 anos, número influenciado pelo alto volume de contratações recentes em 2024 e 2025, mas que esconde uma base sólida de fidelidade: 41 mulheres superam os 5 anos de instituição e 19 já ultrapassaram a marca de uma década de serviços prestados, com casos isolados que chegam a 30 anos de dedicação.

A história da fisioterapeuta da UTI, Jhennifer Castro , que iniciou sua trajetória no hospital em 2015 como recepcionista, ilustra a política de incentivo à formação. Filha de mãe solteira e enfrentando os desafios de conciliar trabalho e estudos, ela completa 11 anos de casa em 2026. 

“Sinto orgulho da minha trajetória, porque não foi fácil. A UTI é um ambiente de grande aprendizado e amor; acompanhar a evolução de um paciente e vê-lo reencontrar a sua família é um dos momentos mais significativos da nossa profissão”, afirma. 

Há cinco anos atuando na área técnica, ela deixa um recado às colegas: “Não desistam dos seus sonhos. Cuidar da casa, marido, filhos e conciliar com a carreira  não é fácil, mas com determinação tudo é possível”.

Superação e o alerta para o autocuidado
A enfermeira Maria Voltolini é símbolo da resiliência nos corredores do hospital. Sua história com a instituição já soma duas décadas de dedicação. No início da juventude, com o incentivo direto do fundador, Dr. Jorge Yanai, ela trilhou o caminho da formação técnica e graduou-se em enfermagem há 13 anos. No entanto, em 2023, o destino a colocou no papel de paciente: um diagnóstico de câncer de mama mudou sua perspectiva sobre o tempo e o cuidado.

"Eu sempre vivi para o outro. Durante a pandemia, mergulhei tanto na missão de salvar vidas que acabei esquecendo da minha própria. Eu olhava para os monitores, para os pacientes, mas deixei de me olhar no espelho", confessa Maria, em um relato emocionante.

Após enfrentar um rigoroso tratamento que se estendeu até 2024, ela descreve o período como a “maior prova” de sua existência. "Não foi um caminho fácil. Houve dias de medo e silêncio, mas a fé, o apoio da minha família, dos amigos e desta casa, que é o hospital, me manteve de pé. Hoje, me sinto vitoriosa, não apenas por terminar o tratamento, mas por reaprender a me amar", detalha a enfermeira.

Para Maria, a cicatriz da superação carrega uma lição urgente para todas as mulheres: a priorização do autocuidado.

"Nós, mulheres, somos ensinadas a ser fortaleza para todos, mas precisamos entender que só conseguimos cuidar de quem amamos se estivermos bem. Meu recado para todas neste Dia da Mulher é: amem-se em primeiro lugar. Façam seus exames, não ignorem os sinais do corpo e não se deixem abalar. Somos fortes, mas precisamos ser gentis com a nossa própria saúde. A vida é um presente que floresce quando a gente aprende a se colocar como prioridade."

Liderança baseada no exemplo
Para a Dra. Anna Letícia Yanai, médica e coordenadora administrativa da instituição, o alto percentual feminino na gestão não é apenas uma estatística, mas um sistema sustentado por preparo técnico e disciplina. 

“Eu cresci cercada por mulheres fortes. Venho de uma família na qual a maioria sempre foi feminina, mulheres que trabalharam muito, estudaram, sustentaram decisões e ensinaram, pelo exemplo, que competência não precisa de rótulo”, pontua.

Dra. Anna destaca que a excelência dos serviços, incluindo a UTI do hospital (que figurou entre as melhores do Brasil no último ano) é fruto desse comprometimento. 

“Como médica, professora e gestora, convivendo diariamente com essas profissionais, sei que trabalhar em um hospital exige mais do que cumprir uma jornada. Aqui lidamos com a vida, com decisões críticas, com sofrimento, urgência e responsabilidade permanente. Isso exige equilíbrio emocional, sensibilidade e rigor técnico em um nível que poucos ambientes exigem. Muitas dessas mulheres são mães e esposas, acumulam jornadas e, ainda assim, entregam excelência”, destaca a gestora.

RESUMO EM NÚMEROS: 
• Quadro Geral: 78,5% feminino (183 mulheres de 233 colaboradores).
• Liderança: 72,7% de cargos ocupados por mulheres (16 de 22 cargos).
• Fidelidade: 41 mulheres com +5 anos; 19 mulheres com +10 anos.
• Tempo médio de casa: 3,8 anos.

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